15/10/2025·Aduaneiro·Por RSH Advogados

O Relatório Icomex, divulgado pela FGV IBRE em 14 de outubro de 2025, confirma que o chamado “tarifaço de Trump” — a política de elevação de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos importados — já provocou mudanças estruturais nas exportações brasileiras e uma reconfiguração dos fluxos comerciais globais.
Crescimento global, mas com redirecionamento de mercados
O relatório destaca que, no primeiro semestre de 2025, o comércio mundial cresceu 4,9%, impulsionado pela antecipação de exportações para os EUA e pela expansão de setores ligados à inteligência artificial. A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou sua projeção de crescimento do comércio global de 0,9% para 2,4%, após o anúncio do tarifaço em 2 de abril de 2025 (Liberation Day).
Embora a economia americana tenha se mostrado mais resiliente do que o esperado, a FGV alerta que o impacto pleno das tarifas ainda será sentido — à medida que os aumentos forem repassados aos preços finais.
Efeitos no Brasil: queda nas exportações para os EUA e compensação pela Ásia
Os dados do Icomex indicam que, em setembro de 2025, as exportações brasileiras cresceram 9,6% em volume e 7,2% em valor na comparação com setembro de 2024. Já as importações aumentaram 16,2% em volume e 17,7% em valor.
O superávit da balança comercial brasileira no mês foi de US$ 3 bilhões, e o acumulado do ano até setembro somou US$ 45,5 bilhões, o que representa queda de US$ 13,2 bilhões em relação a 2024.
Apesar do crescimento agregado, houve uma queda de 19,1% no volume exportado para os Estados Unidos, enquanto as vendas para a China aumentaram 15% e para a Argentina, 22%.
Na soma, China, União Europeia e Argentina passaram a absorver 40% das exportações brasileiras, compensando parcialmente as perdas no mercado americano.
Setores mais atingidos
O impacto do tarifaço foi desigual entre os setores:
Redesenho da pauta exportadora
O relatório conclui que o “tarifaço” está mudando a estrutura das exportações brasileiras, tanto em destinos quanto em composição setorial. Houve ganhos de mercado na Ásia (fora da China), na América do Sul (fora da Argentina) e no México, sugerindo que o Brasil vem buscando novos parceiros para compensar o fechamento parcial do mercado norte-americano.
Entretanto, a balança comercial com os EUA passou de déficit de US$ 1,3 bilhão para US$ 5,1 bilhões, e o superávit com a China caiu de US$ 30,1 bilhões para US$ 22 bilhões.
A Argentina, por sua vez, passou de déficit de US$ 50 milhões para superávit de US$ 4,7 bilhões, impulsionada pelo setor automotivo.
O desafio para as empresas brasileiras
Para o setor privado, o cenário confirma a necessidade de adaptação rápida às novas dinâmicas do comércio internacional. Exportadores devem reavaliar:
Na RSH – Reis, Simas e Heidrich Advogados, acompanhamos atentamente as transformações do comércio exterior e seus impactos tributários, auxiliando empresas importadoras, exportadoras e despachantes na adequação às normas e oportunidades geradas por esse novo contexto global.
Esta é uma publicação em caráter exclusivamente informativo, não devendo ser interpretada como aconselhamento jurídico.